Deitado sobre a grama
Pensado sobre coisas que ainda não fiz.
Sobre o perfume que não senti.
Sobre a risada que não dei.
Tentando imaginar o gosto da fruta que comi.
No meu tempo de criança que se perdeu da memória.
Onde não se pensava em buscar riqueza nem gloria.
Tempo que a poeira cobriu.
Sobre chuvas que não me molhei.
Sobre rios que não atravessei.
Tentando imaginar qual era o presente que não ganhei.
No meu tempo de adolescente que me despertou de um sonho.
Onde me fiz de fantoche naquela vida artificial que hoje com minhas mãos decomponho.
Tempo em que feridas se curavam.
Sobre o fogo que não me queimei.
E pores do sol que não vi.
Tentando imaginar quais seriam os caminhos que não escolhi.
No meu tempo de adulto que me tornei um soldado.
Onde fui torturado me arrancaram olhos e braços, fiquei desarmado.
Tempo que se enxergava o fim da trilha.
Sobre o ar que não respirei.
E nuvens que não atravessei.
Tentando imaginar por qual motivo ainda não parei.
No meu tempo de velho que ao passar dos anos um sábio me tornei.
Onde deitado sobre a grama por dias ali fiquei.
Tempo que engoli a seco com meus calos nas mãos e fadiga no meu respirar.
Sobre o paraíso que enxerguei.
Sobre o posto de santo que herdei.
Tentando imaginar por ultimo porque na grama eu deitei?
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